A igrejinha do alto da serra

No Domingo, retornando para casa, passamos por uma capela (Wurmlinger Kapelle). Reiner contou que quando ele estava na escola todos eram obrigados a conhecer de cor e salteado a história da capela. Mas, pelo que entendi, a fama da capela se deve a um poema .

O Reiner resolveu parar para mostrar a capela para mamãe. Tivemos de subir, subir, subir pra chegar lá e o fizemos mesmo sabendo tendo lido que a capela deveria já estar fechada (já eram 18:00hs). Mas chegando lá, além da capela estar aberta, ainda conseguimos visitar a cripta, com uma estátua do Jesus morto. Mas isto por que o Reiner conversou com a zeladora e contou o milagre do dia: que Dona Toninha tenha subido todo o trajeto sem reclamar nem uma vez e sem perguntar quanto faltava pra chegar. Ela perguntou na hora se já havíamos visto a cripta. Mais um dos milagres que ocorrem na vida da minha mãe. Não só subir até lá depois de tudo que fez durante o dia: depois do passeio no parque de pés descalços ainda visitamos duas cidades e ficamos umas duas horas em um museu. Milagre puro. Mas valeu a pena. A capela é singela mas bem bonita. E a vista que se descortina lá de cima é mais bonita ainda.
igrejinha-na-serra

por RosangelaE em Na Alemanha

Comentários

Manoel Carlos 25.08.2004 – 12:49

Se a viagem de sua mãe já rendeu tanto no seu blogue, fico a imaginar como serão os dias no interior de Minas quando ela retornar. Não faltará assunto nem platéia por décadas.

angela 02.09.2004 – 07:05

D.Antonia já conhece mais da Alemanha do que eu,que,já estou aqui mais de uma década…rsrsrs
Beijos para as duas.
Angela

angela 11.09.2004 – 11:34

Alô meninas!esta tudo bem com vcs???
Espero que sim,estou sentindo falta de novas aventuras,mas parece que vcs tiraram férias.
Beijos para as duas…..saudades…

telma 25.09.2004 – 04:37

Textos lindo, lugares lindos, lembranças… muito mais. Sua mãe não vai esquecer essa temporada nunca de nuncarás. Como você é iluminada, minha amiga. Que tal, um dia, jogar uma luzinha sobre o poema da capela para nós, pobres ignatos no alemão?

Se às vezes você não vê mensagens minhas não é porque não estou com vocês não; porque estou, sim. Acompanho tudo de pertinho, grudada na tela do computador, míope que sou.
Beijos a todos com carinho
tel (24.09)


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Passeando na floresta.

Fomos passear na floresta. A dona Toninha adora. Toda semana tem pelo menos uma pequena excursão na floresta. No sábado fomos ao Bärensee (lago dos ursos) um parque perto de Stuttgart. Este nome se deve ao fato de que antigamente havia ursos lá. Tem um lago ou represa no meio, que é água de reserva para o abastecimento da cidade. Portanto não só se pode nadar. E a floresta, embora manejada, é deixada o máximo possível ao natural. Há um predomínio bem grande de árvores de folhas decíduas. Embora eu já tenha estado lá antes, nunca fui no outono. Anotado: voltar lá no outono. Mas mesmo no verão a floresta é linda e vale o passeio. E a caminhada. Andamos muito e vimos até os o pequeno grupo de veados que vivem soltos uma área reservada do parque.

colagem-baerensse

No Parque dos ursos, com bucólica cena dos veados pastando.

Dona Toninha já estava achando que estávamos perdidos. Mas a orientação espacial do Reiner não falha. No final, chegamos ao estacionamento bem na hora que a chuva (tão anunciada) caiu. Sorte pura.

No domingo fomos ao Barfußpark ? parque de pé descalços. Gostei tanto quando fomos lá dois anos atrás que queria mostrar pra mamãe. O parque, como o nome indica, é um parque para se andar descalço, experimentar com os pés as diversas texturas do solo. Água, água gelada, solo com restos de cascas de árvores, pedras de todos os tipos e formatos, madeira e lama. Muita lama. São mais ou menos 3Km de caminhada. Exatamente 1 hora. E o parque fica na floresta negra, onde o predomínio é de pinheiros. E a floresta é também linda. Sem contar que está cheia de frutinhas comestíveis silvestres, como framboesas.

barfusspark-08-2004

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E o Reiner com a mão cheia de framboesas.

Embora nem sempre tão fácil de caminhar, a Dona Toninha gostou da experiência. Pela menos assim diz!

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por RosangelaE em Na Alemanha

Comentários

Manoel Carlos 25.08.2004 – 12:54

Imagino que Reiner diga que foi tudo calculado para chegar antes da chuva e não sorte.
Também imagino que Dona Toninha diga, em Minas, que na Alemanha tem um lugar para as pessoas pegarem bicho-de-pé.

Original

–Enfim uma palavra que a gente pode entender! Original!
disse lendo a placa.
–A gente, quem?
–A gente quem?! Nós, uai.
–Em português?
–É!
–Mas esta palavra também existe em alemão.
— É?!!
–É! Mas a pronuncia é diferente. Original aqui se pronuncia Origuinal. O G tem uma pronuncia diferente. Regina, por exemplo, pronuncia-se Reguina.
–É?!… Pronto!
Pausa
— Mas porque se pronuncia errado?
— Não é errado. É diferente. É outra língua, mãe! O J também se pronuncia diferente em alemão. Joachim ? Joaquim
— É?! Pronto!
–Johanes-
–É?! Pronto!
Procuro lembrar outras palavras com J em alemão.
–Ah, Ja, por exemplo, que a senhora tanto adora, se escreve com J. (Pronuncia-se Ia)
–É??!! Pronto!!
— Ja, ja!
–Pronto!

por RosangelaE em Babel e cia.

Original

Comentários

angela 22.08.2004 – 17:59

Olá,meus dois amores, continuo na Itália, agora em Milao, mas nao resisto,preciso passar sempre para visitá-las.
Rosangela que experiência…Vc aprendeu muito com a sua mae e agora vc é a professora.
Parece meu filho perguntando como se fala tal palavra em portugues.
Bjus para as duas…e a aula continua….

nora borges 23.08.2004 – 15:38

Adorei o post. Acho que posso até escrever um semelhante
Aqui tb SE FALA ERRADO:
perguntar=preguntar
noiva=novia
gaivota=gaviota
então=entonces…
e depois dizem que nordestino fala errado. hahahah fala é Espanhol!
beijos

Manoel Carlos 25.08.2004 – 12:57

:))))) Adorei este diálogo. Consigo imaginar exatamente a cena :)))

Velejar é preciso.

No final de semana retrassado, fomos. Regina, filha do Reiner, teve a idéia. Escolhemos o Ammersee, lago do rio Ammer. Duas horas (sem engarrafamento) de carro daqui. Dia lindo e limpo. E tivemos sorte. Sábado, sem muito vento, Reiner e Regina foram tentar a sorte no meio da tarde quando soprou uma brisa. E deu certo.
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Eu e mamãe ficamos curtindo o sol/sombra de um gramado a beiro do lago e as águas do lago.
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O domingo, sem vento. “Vai dar pra velejar?” Era a pergunta. Procuramos e encontramos alguém que ainda tinha veleiros para alugar e fomos lá. Deixei a máquina fotográfica no carro, pensando que íamos nos molhar inteiros. Chegamos lá junto com o vento. Forte. O rapaz que nos alugou o barco disse: ?Este vento começou há 10 minutos. Pode vir uma tempestade a qualquer instante. Velejem naquela direção (apontando uma) porque se vier uma tempestade e vocês estiverem na direção oposta, vocês não conseguem voltar.? Apesar do vento, o céu estava claro, só algumas nuvens podem ser vistas no final do lago. Colocamos a salva vidas na mamãe e zarpamos. Reiner e Regina manobraram o barco. O vento aumentou, depois diminuiu, voltou a aumetar, sumiu. Tempestade, não veio nenhuma. E todos adoramos estar ali, curtir o vento e observar a Regada de crianças, os velejadores em Catamarãs (Catamarãs). Uau! Que sensação deve ser manobrar um barco daqueles.
E não nos molhamos nada. O barco que recebemos era relativamente grande, com espaço suficiente até para dormir. Paciência. Tirar fotos fica para a próxima vez. Por que com certeza voltaremos mais vezes.

Depois da aventura, passamos a tarde à beira do lago, em um ?campo de banho? todo gramado, com bastante espaço para nos espalharmos ao sol e tomar banhos no lago.

No dia seguinte, lendo o jornal ao café da manhã, comentamos com mamãe os estragos que diversas tempestades fizeram em alguns lugares da Alemanha. E contamos que já durante o trajeto ouvimos notícias de previsão de tempestades para a região do lago Ammer e também o que o dono do barco nos disse ao nos entregar o barco. “Então tinha perigo de tempestade?” “Tinha.” ” Se eu soubesse não entrava naquele barco de jeito nenhum”. E como nós sabíamos disso, nos calamos. Tem hora que é uma sorte que Dona Toninha não entenda alemão. Ela adorou o passeio de barco!

E a semana passou depressa. Neste final de semana também ficamos quietos por aqui. Jardim, festa na casa de amigos e limpeza no Hard disk do nosso PC!

PS: Comentários fechados em: 29 de junho de 2006 para evitar Spams. Quer fazer um comentário? Escreva-me um e-mail.

Obrigada.

Comentários

angela 16.08.2004 – 11:54

Olá Rosangela e Dona Antonia,me apaixono pelas aventuras de vcs.
Que coragem! sou do signo de peixes mas tenho medo de muiiita água.
Küsse para as duas.

Alex Galvão 17.08.2004 – 09:58

Vim retribuir sua visita e agradecer pelas palavras gentis… Gostei de ver lindas fotos e os relatos de suas aventuras por aqui. PS: me deixou curioso… como descobriu meu diário perdido? Abraços carinhosos!

nora borges 18.08.2004 – 16:48

Rosangela, dona Toninha é muito linda! Fiquei muito contente com o seu comentário la´no blog dizendo que ela tinha lido toda a história do meu amor e que tinha gostado.
Dê-lhe mais dez beijos meus!!!
Seu blog está mais bonito desde que ela apareceu nas histórias. Uma beção de Deus voce porder curtir assim a vida com seu marido e sua mãae.
Beijos para você também.

Manoel Carlos 25.08.2004 – 13:05

Claro que Dona Toninha não teria ido, caso soubesse do risco, mas já que foi o relato, em Minas, será muito mais interessante.

Viagem sutil.

Manhã clara com grande umidade no ar. 26°C. A viagem segue lenta. Congestionamentos, engarrafamentos. Trafego lento, quando anda.Tanto faz se mudamos a rota e tentamos outros caminhos. Lentidão. As cidadezinhas se sucedem, infindáveis. Com suas torres de igrejas. A paisagem se modifica. E as torres das igrejas. Às torres retilíneas sucedem-se outras torres, com suas cúpulas em forma de cebola, características da Bavária.

Dentro do carro uma outra paisagem se destila, sutil.

?Amanhecer é uma lição do universo, que nos ensina que é preciso renascer.O novo, amanhece.?

Nas palavras e ritmos de Renato Teixeira & Pena Branca e Xavantinho.

E eles tocam.

?Tudo é sertão, tudo é paixão, se o violeiro toca. A viola, o violeiro e o amor se tocam.?

E cantam.

?Ando devagar por que já tive pressa e levo esse sorriso por que já chorei demais. Hoje me sinto mais forte, mais feliz, quem sabe. Eu só levo a certeza de que muito pouco eu sei, que nada sei. Conhecer as manhas e as manhãs, o sabor das massas e das maçãs. É preciso amor pra poder pulsar, é preciso paz pra poder seguir e é preciso chuva pra florir. Sinto que seguir a vida seja simplesmente conhecer a marcha e ir tocando em frente?… ?Estrada eu vou. Estrada eu sou.? … ?Cada um de nós compõe a sua própria história e cada ser em si carrega o dom de ser capaz, de ser feliz.?

E cantam.

?Como eu não sei rezar, só queria mostrar, meu olhar, meu olhar, meu olhar.?

E tocam.

?Debulhar o trigo, recolher cada bago do trigo, forjar do trigo o milagre do pão e se fartar de pão.?

E cantam.

Deixo repetir uma faixa e digo: ?É tão lindo!? Reiner ri e diz: ?Dá uma choradinha, dá!?

E eu dou uma choradinha. E o violeiro toca. E eu dou mais uma, só mais uma choradinha.

?É que a viola fala alto no meu peito humano e toda moda é um remédio pros meus desenganos. É que a viola fala alto no meu peito humano e toda mágoa é um mistério fora deste plano.?

Minha mãe, no banco de trás, reza e acompanha as mudanças da paisagem externa e das torres das igrejas.

* Textos entre aspas do CD de Renato Teixeira & Pena Branca e Xavantinho. 1992 – Ao vivo em Tatuí.

por RosangelaE em Na Alemanha

Comentários

Manoel Carlos 25.08.2004 – 13:11

Não canso de repetir uma frase de uma música de Paulinho da Viola: voltar quase sempre é partir para um outro lugar.
Não tem jeito. Na Alemanha você sentirá, sempre, saudades do Brasil; caso voltasse, sentiria saudades da Alemanha.

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