Rumo ao sul: Provença francesa 2

No dia 01/09 foi aniversário do Reiner. Visitamos Le Baux de Provence uma incrível vila medieval no alto de um platô e Arles, cidade onde Van Gogh morou em um período de sua vida. A arena antiga é imponente. De lá seguimos para Stes-Maries-de-la-Mer, cidade no coração de Le Camargue, uma reserva ambiental à beira mar. Fomos direto para a praia onde passamos a tarde. E entramos no mar, apesar de a água estar relativamente fria para nosso gosto (meu e da Dona Toninha). Para o Reiner a água estava em ótima temperatura. Dona Toninha ficou muito curiosa com um francês que chegou com macacão e botas de plástico, uma pá, um pneu vazio e uma peneira. ?O que ele vai fazer?? E foi lá investigar, antes mesmo de colocar o maio. E veio nos informar: ?Ele está catando minhoca para pescar.? De fato ele tirava a terra do borda perto das pedras e jogava dentro da peneira (agora dentro do pneu) e olhava. De vez em quando metia a mão lá dentro e tirava alguma coisa e guardava em um pequeno recipiente. Depois de trocar de roupa Dona Toninha voltou lá pra perto e ficou só espreitando, agora com água pelos joelhos. Mais tarde veio comentar: ?Coitado, ele consegue umas poucas minhoquinhas, bem mixurucas… Assim não vai pescar nada. Lá em Minas nós temos umas minhocas bonitas e grandes…? Mas depois, distraiu-se com a água do mar ? prefiro o mar às montanhas, já tinha nos dito, nem viu quando o sujeito foi embora.

Quando saímos de lá, fomos procurar um restaurante para um jantar especial para comemorarmos o aniversário do Reiner. Como estava cedo, fizemos reserva e ficamos andando pela cidade. As pessoas se aglomeravam ao lado da rua e era evidente de que ia acontecer alguma coisa. Esperamos. E de repente os carros de segurança anunciaram: ?É agora! Cuidado. Se afastem da rua.? E foi rápido: alguns touros passaram em disparada, ladeados por vaqueiros trajados a caráter. Os touros são muito comuns na região, assim como cavalos selvagens (ou semi-selvagens) e flamingos. Flamingos aos montes que vimos nos pântanos à entrada da cidade.

Depois fomos visitar a igreja local. O Reiner, sempre procura levar Dona Toninha a todas as igrejas que estão no nosso caminho. Uma igreja antiga e escura, cuja história impressionou muito Dona Toninha.

Aqui a história da igreja (e do nome da cidade), como aparecia no nosso guia turístico:

? As santas no barco

No ano 40 D.C., assim diz a lenda, os cristãos banidos da palestina, Maria Jacobea, irmã da mãe de Deus, Maria Salomé, mãe do apostolo João e Jakob, Lazaro (o ressuscitado) e suas duas irmãs Marta e Maria Madalena, tanto quanto Maximim, Sidonius, o cego que voltou a ver e Sara a serva negra das duas Marias, aportaram na costa perto da cidade hoje chamada Saintes-Maries (Santas Marias). Eles foram como cristãos banidos da Palestina e embarcaram em um barco sem vela sobre o mar. Na verdade Sara não deveria ter vindo junto, mas Maria Salomé jogou seu casaco sobre o mar, que endureceu e serviu como uma Jangada, através do qual Sara pode alcançar o barco. Este foi o primeiro milagre.

O pequeno grupo alcançou, graças a influencia divina, a praia onde hoje se encontra a igreja Saintes Maries. O grupo erigiu uma simples capela de pedidos em honra da mãe de Deus e logo depois se separou, para pregar a palavra de Deus. Marta foi para Tarascon, Masimim e Sidonius para Aix, Lásaro para Marselha; Maria Madalena isolou-se como penitencia para uma gruta (s.Massif de la Sainte-Baume). Só Maria Jacobea e Maria Salomé ficaram com Sara em Camargue onde foram enterradas no final de suas vidas.?

Dona Toninha nem podia imaginar a sorte (ou a graça) de ter tido o privilégio de ter visitado uma igreja destas. Tanto as duas Marias quanto Sara foram posteriormente consideradas santas.

Depois de um belo jantar voltamos para casa.

Mas como Reiner disse, neste dia eu estava de férias: esqueci a máquina fotográfica em casa. Portanto, sem fotos.

Pausa na narrativa de viagem: vou agora com mamãe para as Termas. Faltam somente dez dias para ela voltar para o Brasil e temos ainda tantas coisas para fazer… Portanto, não estranhem estes textos meio telegráficos das narrativas de viagem. Quero contá-los para vocês, mas Dona Toninha agora gosta deste registro detalhado, já que a memória já não é tão eficiente para guardar tantos detalhes e tantos nomes de lugares e acontecimentos. Este é o motivo principal que me detenho nesta narrativa mais ou menos minuciosa desta nossa viagem. Vou tentar terminar esta narrativa amanhã.

por RosangelaE em Impressões de viagem.

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