Outro dia dourado e depois…

Ontem foi outro dia dourado. Fomos ao jardim e de lá fizemos uma volta a pé pela floresta que tem perto. Além das cores lindas, temperaturas ótimas, perto de 24°C. E motivo extra para sorrir: ver este casal passando em uma tandem, estas bicicletas de dois assentos, um atrás do outro. Eu e o Reiner sempre brincamos que um dia ainda vamos ter uma. Mas duvido que iríamos nos vestir com esta elegância para passear por aí. Ele usava até gravata!
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Consegui fazer uma segunda foto, quando os encontramos mais à frente, descansando. Que elegância. Ficamos sorrindo o resto da tarde.
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Também por causa das cores, do sol, das temperaturas.

E hoje voltou a chover. No início até pensei nas nossas chuvas brasileiras: escutei um trovãozinho e depois escutei também a chuva batendo na vidraça da janela. Mas foi breve. Logo depois voltou à chuva característica desta época. Ininterrupta e silenciosa ? aqui eu raramente escuto a chuva batendo na vidraça. E, ao que tudo indica, vai ficar assim o dia todo. E pode até ficar a semana toda. Ou mesmo, semanas a fio. E esta é a grande diferença.

Eu sempre amei as chuvas no Brasil. Amei mesmo. E ainda amo. Amava as chuvas quentes e abruptas, barulhentas… e quentes. Adorava passear molhando os pés nas enxurradas grossas, durante ou após as chuvas. Adorava as nuvens se adensando no fim da rua e se aproximando, urgentes. Adorava o cheiro que subia da terra recém molhada. Aurésia ? aprendi um dia. E esta palavra foi a minha preferida e mais amada por anos a fio. Esta palavra ? aurésia, me voltou à memória semana passada por causa de um lindo e-mail do meu irmão. Depois que escrevi que estava triste por causa da chuva, ele me escreveu:

?Querida irmã Rosangela,
visitei o seu blogg, está maravilhoso. Ainda chove mas as fotos com aquela árvore amarela parece árvore do cerrado. Esqueci o nome da árvore do cerrado. Muito bonita….
Não fique triste com a chuva pois ela molha a terra. Você sente aí o cheiro da terra molhada no ar , quando fica muito tempo sem chover? Vi as couves também, que maravilha!!
A mamãe esta voltando a ver devagarzinho.
Nana, felicidades!!
Um beijão do
Dodo?

Não, meu querido. Aqui não se sente o cheiro de aurésia no ar- sua pergunta me surpreendeu tanto que fui confirmar com o Reiner. Não, ele não conhece este cheiro. Aqui, fica tudo cinza, úmido e frio. Só. Por isto, quem não conhece as chuvas alemãs, não pode entender mesmo a minha tristeza. Espero mesmo que esta chuva não dure tanto e que outros dias dourados ainda venham, antes do inverno chegar.

PS: A minha mãe fez uma operação de catarata logo que voltou para o Brasil. E como vocês podem ver, está tudo bem.

por RosangelaE em Na Alemanha – 3 Kommentare

Comentários

wilma 25.10.2004 – 18:09

Oi, que lindo esse casal de bicicleta!! e uma descansadinha no banquinho…um programão!!!
Aurésia, aprendi mais uma palavra…no meu dicionário não tem!! Beijos Wilma

Manoel Carlos 26.10.2004 – 02:45

Quanta luminosidade nas fotos!

telma 27.10.2004 – 13:32

Querida, é tão bom ver seu encantamento com as cores, flores e frutas da sua horta e jardim. As fotos são uma maravilha, dá muita vontade de ir até aí ver ao vivo as feiras, os parques, as montanhas, tudo!

Me surpreendeu você ficar tão triste com a chuva, logo você que sempre gostou dela! Imagino que deve ser porque aí é tão diferente. Enquanto aí a chuva é contínua e dá a sensação de interminável, como você mesma disse, lá pras bandas do cerrado de Minas as chuvas eram rápidas e às vezes ficávamos meses na seca.

Eu também não sabia que o cheiro da chuva tinha uma palavra só pra ele. No meu dicionário também não consta. Era um segredo só seu, né? Que bom que compartilhou com a gente. Aurésia… lindo, lindo.

A árvore amarela do cerrado que o Dodo não lembrou o nome deve ser o ipê amarelo, não? Minha avó sabia outro nome para ela, mas agora não consigo lembrar. Lembrarei, qualquer dia desses, do nada, quando nem estiver pensando nisso. Aí escrevo contando.

Ah, suas fotos no outro site estão lindíssimas também. De encher os olhos. Vi a pereira e lembrei do conto ‘Bliss’, da Katherine Mansfield, no Brasil traduzido pela Ana C. Deve ser linda de deslumbrante quando está em flor.
Um beijo grande. Saudades,
telma

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