Ötzi

Ötzi, um homem com mais ou menos 40 anos, foi encontrado em 1991 num campo de neve no vale alpino chamado Ötz, uma das geleiras do Tirol, região situada entre Itália e Suíça Uma bela múmia conservada, não pelas artes exploradas no Egito, mas simplesmente pelo frio.
Estima-se que Ötzi viveu cerca de 5300 anos atrás. Chamado de homem da neve, Ötzi abriu um vasto campo de investigação em diversas universidades européias e centenas de pesquisadores estão envolvidos no projeto de descobrir e reconstituir as condições de sua morte.
Ötzi tinha um grande ferimento em uma das mãos. E tinha problemas de saúde. A partir destes primeiros dados, recriaram a história de Ötzi. Ele teria vivido em uma pequena aldeia na base da montanha. Um dos homens da aldeia teria morrido em conseqüência do ataque de um animal e Ötzi teria reivindicado a pose de suas armas e ferramentas, valiosas naquela época. Mas não teria sido o único interessado em se apossar das mesmas e teria tido de lutar pelo direito de tê-las. E teria perdido. Por este motivo teria tido de abandonar sua aldeia em uma época imprópria. Às portas do inverno. Na fuga através das montanhas, machucado, faminto, cansado, parou para descansar, adormeceu e morreu. Congelado. E foi assim conservado por milhares de anos.
No ano passado os pesquisadores descobriram a ponta de uma seta no peito de Ötzi e um profundo ferimento de faca em um dos seus ombros. Com estas novas evidencias supõe-se agora que Ötzi teria tido uma posição de destaque na sua comunidade e algum invejoso o teria assassinado visando assumir sua posição de prestígio. Eu vou além. Suponho que ele teria saído da aldeia com uma pessoa de confiança, que o teria assassinado traiçoeiramente. Este homem teria então voltado para a sua aldeia contando como seu amigo teria caído em uma das fendas da geleira e ele não teria tido meios de socorrê-lo. Ötzi teria morrido triste e desiludido com a traição de alguém que considerava um amigo. Suposições. Meras suposições.
Esta é a sina das geleiras nas montanhas. Movimenta-se como um rio de gelo, lentamente montanha abaixo. Um espetáculo formidável que tive a oportunidade de ver de perto há pouco tempo. As geleiras milenares, com suas fendas colossais, são um espetáculo incrível, mas das quais se deve manter uma razoável distância, com respeito. Ou se corre o risco de seguir o destino de Ötzi. Surgir do gelo depois de milhares de anos e deixar todos os curiosos quebrarem a cabeça tentando desvendar as circunstâncias de sua morte. Isto pode ajudar a compreender a época em se viveu. Mas, para o envolvido direto no caso, como acontece com Ötzi, não tem a menor utilidade prática.

O que achei sobre geleiras na internet:
em português: http://www.igc.usp.br/glacial/glossario.htm
http://www.bio2000.hpg.ig.com.br/geleiras.htm

em inglês: http://www.glacier.rice.edu/land/5_tableofcontents.html
em alemão: http://www.educeth.ch/geographie/puzzles/gletscher/

Para saber mais sobre Ötzi (Oetzi):
http://www.discovery.de/de/pub/specials/mumienwoche/home/eismumien/oetzi.htm
http://dsc.discovery.com/convergence/iceman/iceman.html

OBS: Este texto foi publicado em jornalzinho online em abril de 2002, que não está mais no ar.

por RosangelaE em Conversa direta 1 Kommentar

Comentários

Manoel Carlos 10.11.2004 – 03:45

Eu não gosto muito quando os cientistas, para usar uma expressão da gíria brasileira, viajam na maionese.
Uma coisa é ficção.
Como você especular que houve asssainato e que assassino era alguém de confiança.
Outra coisa é criar um enredo sem conformidade com a realidade, ou sem dados para a comprovação das afirmativas.
Quanto à crônica em si, excelente! Simples, direta, clara, informativa. Fez bem em reeditá-la.

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