O dia que vem com certeza para todos.

papai
Algum tempo atrás minha mãe começou a se preocupar em adquirir um túmulo para a família. Queria um no cemitério principal da cidade. Estava tão difícil de conseguir que acabaram comprando um terreno no cemitério novo. Um dia estávamos passando por lá e meu pai disse: ?Olha aí, o lugar do descanso!? Um descampado, batido por sol e vento, muros baixo, horizonte a perder de vista. Era um dia claro. ?É bonito?, ele disse. Eu também achei.Para a minha mãe não estava bom. Sem tradição. Tanto fez, tanto conversou, tanto insistiu com o responsável pelo cemitério antigo, seu vizinho, que acabou conseguindo comprar uma sepultura lá. ?Agora sim, estou tranqüila?, disse quando fechou o negócio.Mas a ladainha não terminou por aí. Um ano depois, meu tio resolveu vender um túmulo que ele tinha no cemitério antigo. Minha mãe não duvidou: juntou as economias e comprou mais este terreno. Meu pai já estava a repetir havia algum tempo que estava a esperar ?por aquela que vem com certeza para todos?. Minha mãe prestou atenção, achou o assunto sério e resolveu reformar o jazigo recém adquirido do irmão: ?Para deixar tudo pronto?, pontificou.Na mesma semana venderam o primeiro terreno que tinham comprado no cemitério velho da cidade para alguém que precisava com urgência. Meu pai fez questão de ir ao cemitério, depois do enterro da mulher. Queria ter certeza de que não tinham enterrado a mulher na sepultura errada. A campa recém adquirida ficava num lugar melhor, perto da entrada no cemitério, me explicaram. Voltou tranqüilizado pra casa: ?Ficou bom?, referindo ao jazigo reformado. Acho que no fundo ele também queria o cemitério antigo, com seus muros altos, com seus túmulos de pedra, com sua tradição.

Um ano atrás, no dia 28 de fevereiro, perguntei como sempre: ?Como vai, pai?? E ele me deu a resposta que já se tornara padrão, com uma risadinha: ?Caminhando para aquele lugar, minha filha… esperando por ela?. Eu não dei atenção às frases, como se faz com a maioria das coisas corriqueiras do cotidiano, já que ele as vinha repetindo há mais de 3 anos. No dia seguinte veio a notícia: ?Papai morreu.?

Embora ele parecesse estar esperando tanto pelo descanso eterno, ninguém parecia mais apegado à vida. Mas ele bem sabia que não era imortal. E avisou a todos. Ninguém acreditou.

Eu já disse uma vez, que por um longo tempo não chorei a sua morte. Acredito que a morte faz parte da vida. Já chorei muito mais depois disso, por motivos dos vivos mesmo.

Com o meu pai, sonhei no fim do ano. Eu o visitava em um hospital. Ele dormia, em uma cama toda branca, havia um cheiro gostoso de lençóis limpos no ar. Letícia, uma conhecida da nossa cidade que é espírita, estava no quarto com ele, como que velando o seu sono. Eu e Letícia conversamos perto da janela, de onde avistávamos um grande parque, onde a tarde alongava as sombras das árvores. ?Ele está bem agora,? ela me disse. E eu acreditei. E acredito.

O meu pai está vivo, na minha, na nossa memória. E parece que sempre posso telefonar e perguntar como sempre fazia: ?Oi pai, como está o senhor?? Talvez agora ele me respondesse: ?Ah, Rosinha… Estou bem… estou bem, minha filha.?

Pelo menos agora ele não precisa mais esperar por ela. Aquela que vem com certeza para todos…

Texto originalmente publicado aqui.

por RosangelaE em Desnovelando. 9 Kommentare | TrackBack (0)

Comentários

Silvana 28.02.2005 – 11:52

Oi Ro!! bom dia pro ce!!
Lendo o seu post de hoje, me lembrei da minha avo que morreu tambem no ano passado e eu nao fui no enterro, alias fiquei sabendo uns dias depois…fiquei muito triste no dia, mas depois fui entendendo que nao ia conseguir fazer e mudar nada,mas ao mesmo tempo queria estar lá do ladinho dela.O problema é que nos somos egoistas muitas vezes e nao aceitamos quando algum ente querido se vai.É eu acho que a unica certeza que temos nessa vida é a morte,dela ninguem escapa!!Que coisa né!! boa semana para vc e nao esquece que vou ti cobrar do nosso encontro!!
beijos,
Sil

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nora borges 28.02.2005 – 11:53

Querida, primeiro te dizer que sua sugestão foi um sucesso! Obrigada.
Quanto ao que contou sobre seus pais creio que as pessoas maduras encaram a morte com mais tranquilidade, embora amem a vida com todas as energias.
O bom é que podemos lembrá-los eternamente!
Beijos

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Ale 28.02.2005 – 15:57

Eu me lembrei do meu avo-rocambole, que eu chamo assim pq ele sempre foi um doce de pessoa, e um pai para mim.
Um beijao

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telma 01.03.2005 – 02:01

Oi, Rô. Que bela foto do seu pai. É assim mesmo que me lembro dele: sábio, distinto, pensativo…Quando eu era criança, era viciada em pastilhas Cepacol e sempre, invariavelmente, ia à farmácia do seu pai comprá-las: “Uma caixinha de Cepacol. Ponha na conta do meu pai, por favor”. Primeiro ele sorria. Depois me olhava, sério: “E a menina quer Cepacol pra quê? Nem está resfriada! A garganta não está doendo, está?”Eu acho que eu só respondia com um meio-sorriso, encabulada pela meia-bronca. E também acho que, sem jeito pela minha mudez, ele acabava me entregando a caixa, pensativo…Um dia meu pai veio me perguntar por que tanto eu comprava Cepacol: “Até ‘seu’ Antonio anda preocupado. Me disse que tomar remédio sem precisão não faz bem”.

Foi aí que larguei o vício. :)

Posso dizer que seu pai foi um pouco pai meu também? Ele também está vivo na minha memória. Também tenho saudades. E também acredito que ele está bem agora. Um grande beijo

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rosangela 01.03.2005 – 08:29

Telma, minha querida amiga de sempre, eu não conhecia esta história. Obrigada por contá-la. Claro que você pode dizer que ele foi um pouco seu pai também. Acho mesmo que ele foi meio pai pra muita gente. Um grande beijo querida amiga.Um grande beijo também pra Sil, Nora e Ale, que agora também partilharam comigo algumas das minhas lembranças do meu pai.

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Mario 02.03.2005 – 02:13

Oi Ro, no ano passado quando recebi a noticia de que seu pai havia falecido, no inicio fiquei muito triste, pois apesar de ter encontrado com seus pais poucas vezes, conversamos bastante e dele só tenho lembranças muito boas, por que na minha opinião ele so tinha coisas boas a passar por sua simplicidade e sinceridade. Tenho certeza que agora ele está muito bem e feliz, com certeza do dever cumprido. Acho que das pessoas queridas que se foram, devemos guardar somentes as coisas boas.
um beijo,
Mario

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Amador 03.03.2005 – 02:30

Querida irma Rosangela, fiquei emocionado na hora que vi a foto e li a sua carta e os comentarios.A saudade do Papai é muito grande.A gente tem a esperança de poder reencontra-lo novamente algum dia…Um beijao do Dodo

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suzana 18.01.2006 – 18:11

Rosangela é de emocionar!
A figura do seu pai traz muitas lembranças do meu (que perdi tão cedo), S. Ninico, S. Antônio, Papai, éramos vizinhos da farmácia e papai vivia lá. Lembro muito bem dos calendários de S. Judas Tadeu (devo ter um até hoje) que a gente ganhava, ou dos almanaques que traziam histórias, adivinhações que para a gente era a melhor coisa do mundo… Quando o vejo e leio o que voce escreveu só posso lhe dizer que ele cumpriu sua missão e já estava preparado para o seu dia, talvez isto nos conforte mais pois ele deve ter tido o senso de dever cumprido.
Um grande beijo suzana

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Isaura 10.05.2007 – 20:05

Rosângela, realmente a morte é uma grande certeza. O que vem depois dela é que cabe a nós escolhermos. A palavra de DEUS (a Bíblia) nos garante que temos o livre arbítrio de escolher entre a morte eterna e a vida eterna. Se em vida fizermos o que Deus planejou p/ nós..teremos a vida eterna. Se não fizermos a vontade de Deus, teremos a morte ETERNA, que é um grande sofrimento num lago que arde com fogo e enxofre, a saber a segunda morte…
Ainda há tempo…

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A cor do post

Sociedade de caminhadas pés felizes e bolha d`água.

Depois do passeio sobre a neve, você vão pensar que estou mais do que acostumada a andar por aí na neve. Pois não é bem assim, não.

O Reiner faz parte de uma associação chamada WFFW há mais de 30 anos. Este número assusta a mim também, mas o fundador tinha 12 anos quando fundou este grupo há exatos 52 anos e ainda está lá, firme e forte e todos os encontros. WFFW significa “Wanderverein Froh Fuß und Wasserblas“. Traduzindo: “Sociedade de caminhadas pés felizes e bolha d’água”.  Assumindo que a tradução para Fuß é pé. Mas no dialeto aqui da Suábia (Schwabenland), Fuß significa “tudo que vai do dedão do pé até a parte superior da coxa”, como bem explica o Reiner, como um bom suábio, percorrendo com a mão toda a perna, do dedão do pé até a virilha. Jamais ele diz simplesmente: Fuß significa perna. Atento para o detalhe que, nunca mencionei antes, que Reiner fala português muito bem. Todas estas introdutório só para dizer que a tradução do título da sociedade poderia também ser: “Sociedade de pernas felizes e bolha d’água”. Mas perderia um pouco a sutileza do termo Fuß aqui da região.

Pois bem. Esta turma se reunião quase todos os meses para fazer caminhadas juntos. E andar com esta turma não se compara a fazer um passeio como o que descrevi no post anterior, onde eu determino o meu ritmo, onde paro para tirar fotos a cada dois minutos se quiser. Com eles sempre há um percurso definido a percorrer, cada vez um dos associados se responsabiliza pela escolha do percurso, de reservar um restaurante ao meio dia para um almoço e um restaurante no fim, para as últimas palavras. Ele é o guia do dia. A parada para o almoço pode ser substituída por um lanche no meio do caminho. Mas no inverno, tem que ser em um restaurante por motivos óbvios. E geralmente, em janeiro e fevereiro as caminhadas são perto/dentro de Stuttgart. Já é tradição.

Cada participante recebe com bastante antecedência uma correspondência (atualmente por e-mail) com a descrição básica do percurso a ser percorrido, uma descrição detalhada do ponto de encontro e o número a kilometragem estimada da caminhada. Este número nunca é menos de 16 Km. E era o que estava previsto para a caminhada de domingo passado da qual resolvemos participar. Ao redor de Vaihingen-Stuttgart. Vaihingen é um bairro de Stuttgart.

Nós não participamos com muita freqüência das caminhadas. No ano passado participamos só de uma e escrevi sobre ela aqui.

Andar com esta turma significa também andar no ritmo deles. O que é necessário para conseguir percorrer todo o trajeto durante o dia e ainda parar para comer, antes e depois. Caminhar no ritmo deles significa andar em média 4 Km por horas. Pode-se dizer: significa marchar mesmo. Desta vez andamos 6 horas de caminhada: e os 16Kms viraram 18Km. Parar para tirar fotos? Raramente fiz. Quando se para fica-se pra trás. E tem que correr para recuperar o prejuízo. Se está difícil, você só tem um pensamento: chegar no final, lá no mesmo lugar onde está estacionado o carro.

Desta vez achei que não dava conta. É, pensando bem, acho que pensei isto todas as vezes que andei com este grupo. Mas desta vez eu tinha um motivo concreto: o meu sapato escorregava mais do que o normal. Eu estava usando um sapato própria para andar na neve. Mas não sei porque cargas d?água este sapato tinha uma sola arredondada no calcanhar. Este detalhe mereceria uma longa consideração que tornaria o presente texto muito longo e portanto guardo-as para mim ou para uma próxima vez. O fato é que na primeira meia hora andei no fim da fila, achando que tinha de desistir. Mas como ia ficar muito feio, na primeira parada tomei posição junto com a turma da dianteira, contei minha dificuldade para o Reiner que se postou a meu lado me dando todo apoio. E assim, agüentei firme até o final. Confesso que achei o Hans, o nosso guia da vez, um despótico, um tirano, porque ele corria, corria, corria. Ou assim me parecia. Nem conversar muito com as outras pessoas do grupo não conseguia, o que é um dos grandes diferenciais de participar de uma caminhada como esta.

No grupo há pessoas de todas as idades. Os fundadores trouxeram suas crias, que, parece, vão dar continuidade às atividades do grupo por um longo período. Mas todos eles se conhecem há muito tempo e nunca caminhada de inverno, nunca falta as bolas de neve voando para frente e para trás, com ou sem alvo definido. Enfim, é também sempre divertido, todo mundo tirando sarro de todo mundo.

Claro, o saldo é sempre positivo. Desta sobrou uma dor nas costas. Pés e pernas sentiram é claro, mas devido ao meu esforço para me manter de pé, devido ao meu infindável escorrega- escorrega, o maior reflexo da marcha apareceu mesmo foi nas costas. Mas, depois de um bom banho quente e uma boa noite de sono, o corpo se recupera que é uma beleza. Já estamos prontos para a próxima. Talvez no próximo ano…

por RosangelaE em Do antigo Iliquido  com 8 Kommentare

Comentários

Dodo 22.02.2005 – 12:38

Oi querida irma, parabenizo-a ,voce e todo o grupo ,pela caminhada espetacular. Continue assim .. Um Beijao do Dodo

nora borges 22.02.2005 – 16:27

A foto está espetacular, Ro.
Sabe de uma coisa? Em Recife eu participava de um programa de auto desenvolvimento que exigia essas caminhadas. Era maravilhoso poder estar caminhando com um grupo por lugares belíssimos, mas não entendia o por que de ter que correr e fazer tudo como se tivessemos alí por obrigação e não por prazer. Tinha gente que chorava, gente que caia… eu achava isso um absurdo!
Um beijo

Manoel Carlos 22.02.2005 – 18:52

É uma atividade saudável, mas requer condições de segurança.
Segurança em relação a assaltos; em relação a automóveis, quando em berma de estrada, etc.
Não seja pessimista, este ano você conseguirá participar de seis caminhadas.

Silvana 22.02.2005 – 22:11

Ro!!
Que legal este passeio e foi aqui em Stuttgart.Ainda nao conheco Vaihingen.O problema pelo que eu li,foi poder fazer as fotinhos e acompanhar o ritmo do pessoal né!!rsrs.Linkei vc no meu blogg!! que bom que vc gostou do meu blogg.Rimos agora com a compra dos seus cartoes!!temos que escrever um livro!!!!rsrs
beijao,
Sil

Luana 23.02.2005 – 16:24

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__________Olá___________
__Vim dizer que há post novo__
_lá no meu blog… É sobre uma __
__ divulgação que criei.. Passa lá_
__e tenta seres tu o próximo___
________destacado.. ________
______Beijinhos Lunares______

Luiza 24.02.2005 – 12:03

Oi Rosangela
Adorei a ideia da cominhada, mas 16/18 km é muito para mim, portanto parabéns pela coragem!
As fotos pelo caminho sao lindas!
Bjs
Luiza

nora borges 24.02.2005 – 13:30

Passei aqui só pra te dizer o menu dos 16 convidados: feijoada!
Muchas gracias pela idéia!

Ale 24.02.2005 – 15:56

Ahaha… Legal essa explicacao dos pes/pernas… ahahaha… E “bolhas d’agua” nao deixam sobra de duvida que o negocio eh serio!
Eu li esse texto ontem, e anoite quando saimos para encontrar uns amigos, eu tinha a impressao que meu calcanhar estava deslizando, tb com sapato especial. Fiquei pensando se nao seria o chao, no caso era pedra… Sei la… Dai lembrei do seu texto… Se fosse para andar mais que 1km, eu nao sei se dava conta nao!!!
BEIJAO

Passeio sob neve.

Neva sem parar há dias. É a primeira vez que neva por tanto tempo e que tudo fica branquinho por tanto tempo, desde que vim morar aqui.

Ontem o Reiner tomou o avião outra vez rumo à América e eu tomei o rumo do Käpelle. Dettingen fica numa baixada, vamos dizer assim, e o Käpelle é a maior elevação que fica aqui perto, fácil de ir a pé. Lá de cima pode-se avistar, à distancia, o castelo do Teck, à esquerda e à direita o castelo Hohen Neuffen. Pode-se fazer o percurso pelo caminho oficial, asfaltado, fazendo uma ronda completa. Ou sobe-se pela rua que também leva ao Burgersee e volta-se pela rua do cemitério ou vice-versa. Ir e voltar pela mesma rota não é tão interessante.

Além da rota oficial pode-se tomar incontáveis rotas alternativas, passando pelos campos de cultivo ou plantações de frutas. Embora eu conheça relativamente bem a rota oficial, as rotas alternativas, acho que nunca vou conhecer totalmente: não as percorro com muita freqüência e elas se metamorfoseiam com uma constância maior entre as estações. Geralmente eu percorro os caminhos alternativos com o Reiner e meu encantamento é sempre tão grande que ele sempre se mostra indignado porque não vou lá sozinha. ?Tão fácil, na porta da nossa casa!?

É verdade, penso sempre. Mas me poupo/privo do prazer na maioria das vezes. Quando vou, trilho o caminho já conhecido.

Ontem não planejava nada diferente. Fui pela rua do cemitério, passei pelo pequeno grupo de crianças que se divertiam na neve, passei pelo cemitério e comecei a subida. Não sei o que me deu, no primeiro atalho, segui um caminho alternativo. E segui, segui, segui… Havia alguns rastros na estrada e eu os observava atenta. Até onde eu podia identificar eu via os rastos de sapatos masculinos que retornavam pelo caminho. E rastros de cachorro. De repente vi, fora da ?estrada?, as marcas visíveis da passagem de um veado. Dá pra perceber, quando ele anda devagar ou quando passava correndo, deixando marcas alongadas na neve nova que cobria tudo. E nevava o tempo todo. Dava pra perceber uma pequena camada nas pegadas masculinas na neve. Estava tudo bem e eu curtia silencio imperturbável. Mas percebi que aguçava os ouvidos, atenta a qualquer ruído que fosse incomum. Tcha! O que eu sei disso? Pouco, muito pouco. De repente, aquelas pegadas mudaram de direção. Elas agora não mais voltavam, mas seguiam a mesma direção que eu e saiam de repente da estrada. As pegadas do cachorro acompanhavam. Após uma pequena hesitação segui em frente, acompanhado a trilha, que eu podia identificar pela pequena elevação de ambos os lados do caminho, coberto como tudo estava pela neve intocada e nova. Segui. Se já sentia uma inquietação antes, agora aquelas pegadas saindo da estrada não me saiam do pensamento.

O interessante nestas pequenas caminhadas pelos caminhos paralelos/alternativos, é que você tem uma idéia de onde o seu caminho vai dar, mas nunca tem uma certeza concreta e anterior onde exatamente e quando você vai chegar lá. Afinal os caminhos, não conheço os caminhos todos. Após percorrer vários caminhos da região e depois de ter ido subido inúmeras vezes ao Käpelle, já se tem uma noção em que direção se está seguindo. Até eu, a número um em desnoção total de direção espacial. O caminho começou a fazer uma curva à direita, o que indicava que agora eu estaria tomando o caminho do Käpelle, verdadeiramente… Mas as pegadas… Eu já tinha andado uma hora naquele caminho. Ia escurecer rápido. Me convenci a voltar sem me sentir muito covarde. Caminhei depressa sobre minhas próprias pegadas e sob o silêncio intocado. Meu coração só sossegou quando atingi de novo a estrada asfaltada e avistei o cemitério, alguns metros abaixo. E como tinha andado depressa, achei que ainda dava tempo para uma passada no cemitério. Depois segui o caminho de pedestres ao lado do rio, passei pelas crianças que continuavam lá nos seus folguedos com a neve e vim tomar uma xícara ou duas de chá quente.

Para ver fotos do passeio todo, clique em Passeio.

por RosangelaE em Do antigo Iliquido com 7 Kommentare

Comentários

Silvana 19.02.2005 – 16:57

Sil

Oi Rosangela!!
Viajei agora lendo seu blogg.Que interessante.Nao tem muito a ver,mas me fez lembrar quando meu marido fez o Caminho de Santiago e ele contou algo parecido.Beijao,

Luana 20.02.2005 – 15:18

____( T T )
ooO__(_)__Ooo_________
_ __|___|___|___|___|___
_|___|___|___|___|___|__
|__Olha eu aki fazendo__|_
_|__uma visitinha…__|___|
|___|___| ___I |___|_____
_Post Novo no meu Blog|__
_|_Sobre o Kurt Cobain___|
__Passa Lá.. Comenta_|___|

Linda estás na alemanha? Vives mesmo aí? Adorei o post da neve.. Aqui nevou um dia… foi tão lindo
Beijinhos lunares muito grandes


Dodo 20.02.2005 – 21:10

Oi Nana, acabei de ver a foto da bicicleta na Neve. Como Neva ai em!!
Aqui no Brasil esta um solão…Beijos Dodo

Dodo 20.02.2005 – 21:16

Nana Do jeito que neva ai o pessoal vai pensar que a terra nao esta esquentando…Mas faz sentido se o gelo da antardida derreter esfria a corrente do golfo do mexico e a Europa fica mais fria…Um paradoxo, como ja disse…Abraçao Dodo

nora borges 21.02.2005 – 19:15

Mulher de Deus! fiquei aqui com a respiração presa, esperando o dono dos passos aparecer ou o cão voar sobre você…
Que medo!

Silvana 22.02.2005 – 00:08

Rosangela!!
Agora que vi as fotos!!Lindaaaaaaaaaaas!!
beijo,
Sil

Luiza 22.02.2005 – 09:54

Ola Rosangela,
Cheguei até vc através da Silvana.
Adorei a sua cronica e passeio sob a neve.
A neve simplesmente me deixa deslumbrada!
Parabens pelas fotos
Beijos