A entrevista com Letícia

Recebi por email da Alice, filha da Letcia, esta entrevista que Letícia deu ao Jornal Hoje em Dia por ocasião da morte da Terri Schiavo. Transcrevo a entrevista na integra abaixo:

A PSICÓLOGA Maria Letícia Barreto, que decidiu dar um basta ao tratamento contra o câncer no Jornal Hoje em Dia por ocasião da morte da Terri Schiavo “Escolhi parar, porque quimioterapia é terrível”
Cláudia Rezende RepórterForam 15 anos de luta contra um câncer de mama. Quimioterapias múltiplas, uma mastectomia (retirada do seio), internações e remédios para cortar a dor, mas o mal foi mais forte que a ciência e se espalhou pelo corpo, no fenômeno chamado metástase. Depois de todas as tentativas médicas, a psicóloga Maria Letícia Fonseca Barreto, 66, decidiu dar um basta em sua batalha contra a doença e, em janeiro deste ano, informou aos médicos e à família que não gostaria mais de receber tratamento, apenas medicação para não sentir dores. Em casa, ela agora assiste pacientemente à evolução da doença, apegando-se aos afazeres que lhe dão alegria para viver. ‘Tinha duas opções: tentar, tentar, tentar… ou parar. Escolhi parar porque a quimioterapia é terrível’, disse. A decisão de Letícia veio depois que ela ouviu de seu oncologista um novo diagnóstico sobre sua doença informando que o organismo já não respondia ao tratamento e não havia mais remédio para o caso.Quando recebeu a notícia, a primeira reação foi pedir para o médico procurar novas drogas contra o câncer, posição que mudou pouco depois. ‘Aceitei porque não tem jeito mesmo. Sou doente, mas também sou mãe e avó. Pego o que tenho para viver e vivo. Quando não der mais, não deu. Acabou’, afirmou. Letícia contou que também não deseja que os médicos e os familiares insistam em sua sobrevivência quando seu estado de saúde se agravar mais. ‘Não quero ficar a vida toda no CTI (Centro de Terapia Intensiva), recebendo apenas dez minutos de visita por dia’, disse.Letícia sabe que a suspensão dos medicamentos pode agravar o câncer, mas ainda assim acredita que morreria em um tempo mais curto se continuasse com a quimioterapia. Sobre sua decisão, ela não sabe ao certo se representa uma eutanásia. ‘Sei que estou escolhendo como morrer, como eu acho que será melhor. Quero que seja com qualidade. Se isso é eutanásia, eu não sei’, disse. Eutanásia, palavra que deriva do grego, significa ‘boa morte’ (eu= boa + thantos= morte), ou seja, sem sofrimento se sem dor. Seu marido, Ronaldo Barreto, 65, respeita a decisão da mulher. ‘As pessoas têm um limite e, quando chega nesse ponto, você tem que ‘entregar a rapadura”, brincou. Segundo ele, a aflição ocorre somente nos períodos em que Letícia passa por crises. ‘Tive sorte de aparecerem anjos da guarda para nos ajudar’, disse referindo-se a amigos e familiares.

Apesar de admitir que está se preparando para morrer, a psicóloga admite que sente um pouco de ‘medo’ da morte, mas se consola ao pensar que é um momento inevitável para qualquer pessoa. Nos últimos meses, a única preocupação de Letícia é com a dor. ‘Peço a Deus que me livre de efeitos colaterais terríveis’, disse. Outra preocupação é com sua lucidez. ‘Morro de medo de ter metástase no cérebro e perder a consciência.’

Letícia é autora de três livros. Os dois primeiros _ ‘Admirável mundo velho’ e ‘Potencial turístico do idoso’ _ são técnicos. O terceiro, ‘Sala de espera’, publicado no ano passado, reserva para o leitor as memórias da psicóloga, com a narrativa sobre sua doença. Gostaria de escrever mais um livro, mas acredita que não terá tempo para conclui-lo. ‘Eu precisaria de mais de um ano e acho que não vou viver esse tempo.’

Texto origianalmente publicado por mim aqui.

Comentários

graça chaves moraes 16.12.2007 – 20:14

li Sala de espera, tirei um câncer de intestino estou esperando por uma cirurgia no fígado. Acredito, pela narração da escritora wue ela realmente chegou ao seu limite… ser protagonista na vida com câncer é realmente muito difícil.
Que ela “veja a ave” de mãos dadas com Deus

conceição 29.02.2008 – 01:39

Um ser humano muito corajoso.
Quando não der mais não deu…
São palavras também de uma jovem amiga que decidiu parar com a quimio após anos de luta ela chegou ao seu limite..
Sua decisão foi precisamente a mesma…
De tudo o que já passou, mutilada sem volta sofrimento incuravél..
..cresce, cresce, cresce.. Não para..
Afinal tudo foi em vão..
Esperando sua morte na maior das consciencias tentando entender que..a morte é para todos mas na revolta do porquê.. Eu..
Esperando que chegue o dia…
ficando ainda na esperança que sua luta valeu a pena…
Eu que estou a escrever,aprendi que a vida é um saber e morte é apenas um esquecer…
Apesar de tudo obrigada pelo seu testemunho ensinou- me a viver…
Força, coragem…
Um dia irei também..
A morte é apenas um seguimento da vida..Em outra dimênsão…
Que Deus possa nos dar na hora certa o significado da morte…
Tenho a certeza que antes de partirmos teremos esse ensino nada mas nada é feito ao acaso…
Nada mas nada´será em vão…
Beijo de carinho
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2 thoughts on “A entrevista com Letícia

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