Um sentido sumiu

Não foi a visão. Escrevo e vejo as letras pretas na página em branco, um fundo azul. Ao meu lado tenho uma garrafa de água mineral verde, rótulo amarelo, letras vermelhas. Um copo, tipo cálice, amarelo alaranjado. Uma câmera fotográfica, um despertador. Uma máquina de calcular vermelha. Um áudio-livro do Umberto Eco. Uma barra de chocolate. Dois pares de óculos. E ainda estou usando outro, de armação de massa verde. Papel de anotação cor de rosa, um pacotinho de lenço de papel. Um suporte com muitas canetas e lápis. O mouse está à minha direita. E tenho um abajur acesso à esquerda. O teclado é preto. Ao lado, as aulas do curso, impressas. Tem mais. Muito mais. Mas atenho-me ao que está mais próximo.

Não foi o paladar. Eu parto e mordo um pedaço do chocolate em barra. Com 70% de cacau, que tenho intolerância a leite. O recheio é de figo. Saboreio devagar. O paladar está presente. Sinto o sabor do chocolate amargo, misturado com o suave gosto de figo, bem doce. Tenho de levantar para lavar as mãos, que ficaram lambuzadas do chocolate.

O tato não sumiu. Eu sinto o frescor da água na minha pele, o frio do metal na ponta dos dedos. Sinto o tiquetaquear dos meus dedos no teclado. Sinto se aperto a ponta do lápis nas pontas dos dedos, na palma das mãos… Não, definitivamente o tato não sumiu.

Nem foi a audição. Eu ouço o zunzum do motor do computador. A noite está quente, eu ouço o cricrilar dos grilos; ouço o tinido, de criação própria e para uso particular. Não, não me falta a audição…

Foi o olfato. É noite fechada e eu não sinto nenhum cheiro. Não, não sinto cheiro nenhum, nem do chocolate. Eis o que me falta neste instante: o olfato. Não sinto o cheiro de esterco entrando pela janela, tão comum nos meses de verão… Não sinto, não, eu não sinto nenhum cheiro. Então é isto, falta-me o olfato. Neste instante, no aqui, no agora.

Solução simplória, eu sei… Depois deste exercício, fico com a impressão que Saramago escreveu o seu “ensaio sobre a cegueira” num rompante como este, de exercitar a imaginação sem um dos sentidos.

Conclusão:

1. é fácil prescindir de um sentido quando não precisamos dele. Nem sempre precisamos de todos ao mesmo tempo – será? É fato – o olfato complementa o paladar para conferir sabor aos alimentos. Sem olfato perdemos metade – ou mais, do sabor das coisas. E fico imaginando que o meu chocolate teria um sabor muito mais acentuado e refinado se o meu olfato estive funcionando agora.

2. é bom poder contar com todos os sentidos ( e mais os outros) e ainda aquele que chamados de sexto sentido, de preferência sempre juntos…

Observação: Este texto é um dos exercícios proposto na oficina virtual da “Terapia da Palavra”.
Eu participo da primeira turma e estou gostando muito. Muito interessante para dar uma incrementada na imaginação. Recomendo. As inscrições para a próxima turma on-line já estão abertas.

Experimental com letras.

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Um sentido sumiu

Não foi a visão. Escrevo e vejo as letras pretas na página em branco, um fundo azul. Ao meu lado tenho uma garrafa de água mineral verde, rótulo amarelo, letras vermelhas. Um copo, tipo cálice, amarelo alaranjado. Uma câmera fotográfica, um despertador. Uma máquina de calcular vermelha. Um áudio-livro do Umberto Eco. Uma barra de chocolate. Dois pares de óculos. E ainda estou usando outro, de armação de massa verde. Papel de anotação cor de rosa, um pacotinho de lenço de papel. Um suporte com muitas canetas e lápis. O mouse está à minha direita. E tenho um abajur acesso à esquerda. O teclado é preto. Ao lado, as aulas do curso, impressas. Tem mais. Muito mais. Mas atenho-me ao que está mais próximo.Não foi o paladar. Eu parto e mordo um pedaço do chocolate em barra. Com 70% de cacau, que tenho intolerância a leite. O recheio é de figo. Saboreio devagar. O paladar está presente. Sinto o sabor do chocolate amargo, misturado com o suave gosto de figo, bem doce. Tenho de levantar para lavar as mãos, que ficaram lambuzadas do chocolate.O tato não sumiu. Eu sinto o frescor da água na minha pele, o frio do metal na ponta dos dedos. Sinto o tiquetaquear dos meus dedos no teclado. Sinto se aperto a ponta do lápis nas pontas dos dedos, na palma das mãos… Não, definitivamente o tato não sumiu.Nem foi a audição. Eu ouço o zunzum do motor do computador. A noite está quente, eu ouço o cricrilar dos grilos; ouço o tinido, de criação própria e para uso particular. Não, não me falta a audição…Foi o olfato. É noite fechada e eu não sinto nenhum cheiro. Não, não sinto cheiro nenhum, nem do chocolate. Eis o que me falta neste instante: o olfato. Não sinto o cheiro de esterco entrando pela janela, tão comum nos meses de verão… Não sinto, não, eu não sinto nenhum cheiro. Então é isto, falta-me o olfato. Neste instante, no aqui, no agora.Solução simplória, eu sei… Depois deste exercício, fico com a impressão que Saramago escreveu o seu “ensaio sobre a cegueira” num rompante como este, de exercitar a imaginação sem um dos sentidos.

Conclusão:

1. é fácil prescindir de um sentido quando não precisamos dele. Nem sempre precisamos de todos ao mesmo tempo – será? É fato – o olfato complementa o paladar para conferir sabor aos alimentos. Sem olfato perdemos metade – ou mais, do sabor das coisas. E fico imaginando que o meu chocolate teria um sabor muito mais acentuado e refinado se o meu olfato estive funcionando agora.

2. é bom poder contar com todos os sentidos ( e mais os outros) e ainda aquele que chamados de sexto sentido, de preferência sempre juntos…

Observação: Este texto é um dos exercícios proposto na oficina virtual da “Terapia da Palavra”.
Eu participo da primeira turma e estou gostando muito. Muito interessante para dar uma incrementada na imaginação. Recomendo. As inscrições para a próxima turma on-line já estão abertas.

Texto originalmente publicado aqui.

Comentários

telma 30.09.2007 – 20:14

Que imaginação!
Seu texto ficou excelente, adorei!
Beijos

telma 30.09.2007 – 20:15

Que bom que consegui postar! :)))
Ontem e antes de ontem ele embirrou comigo… :(
Beijão