E toma mais insônia

Depois de ficar mais de uma girando hora na cama, sem a taquicardia que me acordou ontem bem cedo, olhando de vez em quando para o relógio e ver que ele avança inexoravelmente para as 5 da madruga, acabo por começar a conjecturar quais as minhas opções.

1) levantar e arrumar as louças da máquina de lavar de ontem à noite – descarto esta lembrando da vizinha com hábitos noturnos da Cindy – bem, esta é uma estóriazinha que nos diverte muito e eu nunca contei por aqui. O fato principal dela é que a vizinha, uma senhora de idade, que provavelmente troca o dia pela noite e faz tanto barulho – parece até que fica mudando os móveis de lugar todos dias, bem noites. Não é o fato divertido da estória mas o que vem ao caso agora.

2) levantar e entrar debaixo de uma ducha quente. Hipótese também descartada. Há umas três semanas, a Doris, uma outra amiga, contou de uma ziguizira no prédio dela por conta de uma inquilina que, trabalhando como garçonete à noite, tinha o costume de chegar em casa e tomar um banho de madrugada antes de se enfiar debaixo das cobertas. Eu também ia querer, como não? Acontece que no andar debaixo do apartamento dela morava, ainda mora, uma mulher muito sensível que acordava assustada com o barulho do chuveiro, todos as vezes que a garçonete com hábitos noturnos entrava debaixo da ducha. Resultado: depois de muito vai e vem, o prédio acabou colocando entras as normas de conduta para os moradores, uma proibição de se tomar banho noturnos. Parece que a garçonete continuava a tomar banho noturno. Por causa disto, os administradores, o prédio é relativamente grande para os padrões alemães, resolveram desligar à noite o aquecimento de água- medida radical no prédio que tem o aquecimento da água centralizado. Fiquei pasma com este caso porque parece ser meio comum este tipo de pendenga por aqui e eu ainda não tinha ouvido falar. Eu  mesma tomo banho – tomava, sempre que me dava na telha e já tinha acontecido várias vezes de ser de madrugada. Eu não escuto nadinha de nada dos meus vizinhos, nem do que mora no mesmo andar e não sei se eles escutam alguma coisa de nós nos andares de baixo – nós moramos no último. E fiquei ainda mais impressionada, pois uma semana depois de escutar esta estória, li no jornal uma notícia, quer dizer, uma notinha falando sobre a mania dos alemães de arranjar brigas com os vizinhos pelos mais variados motivos, às vezes bem irrelevantes. Entre os motivos irrelevantes que citaram, este era um deles – tomar banho de madrugada.

3) descartei outras possibilidades barulhentas – fazer ginástica, por exemplo.

4) as outras não barulhentas, como ler a pilha de jornais que não abri desde que o Reiner está no Brasil, ler o meu livro que está interessante, ou assistir ao trem noturno na televisão, não me apetecem no momento.

5) e como ficar pensando na tragédia de Santa Caratarina enquanto eu giro de lá pra cá na cama não ajuda ninguém,

6) acabei ficando com a possibilidade da escrita. Geralmente, quando o Reiner está aqui, eu acabo também indo para esta opção, mas como o nosso quarto fica ao lado do escritório, mesmo este barulhinho constante e até baixinho do teclado, acabam por acordá-lo, uso o meu amigo de carregar: um caderninho.

E a escrivinhação cumpriu lá o seu papel. O tempo passou. Agora já são quase 5:30h e acho que posso começar umas das atividades diurnas, sem irritar muito os meus vizinhos.

Bom dia para todos.

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Em Waiblingen

Hoje eu fui a Waiblingen pela primeira vez. Almocei em um restaurante sueco com minha amiga alemã. Fomos atendidas por uma garçonete irlandesa e comemos comida típica suábia. Antigas máquinas de costura são usadas no restaurante como enfeites sobre a mesa.
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Fazendo frio

Ontem o Reiner, que está em São Paulo, reclamou que estava fazendo frio. Perguntei e ele contou que lá o termômetro marcava 20°C. “Aqui está frio, amor. Nós temos só 2°C!” . Ele ficou emburrado. “Espere só! Eu vou mandar você passear quando você sentir frio aqui nesta terra tropical no final do ano.” Eu mesma passei muito frio em São Paulo em setembro com seus 16°C.

Ok, ok. Admito. É tudo uma questão da roupa que vestimos. Hoje está frio, claro. Mas é só começar a andar que até as mãos esquentam dentro das luvas.

Fotos da minha caminhada hoje de manhã.

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Carregando a máquina fotográfica

… e me arrependendo a cada passo de ter trazido a grande. Um peso. Para justificar tirei umas fotos, já no final da jornada em Stuttgart (Estugarda).

Tomamos um chocolate quente para esquentar do vento frio da rua enquanto contamos as novidades desde a última vez que nos encontramos, uma semana atrás, Regina Jung e eu.  Ela mora a uns 100 km aqui de casa. Ela conta com palavras e muitos gestos a reação da netinha de dois anos dela ao primeiro passeio de trenó com o pai pela mãe. Primeiro passeio com comentários, bem dito, porque o do ano passado com certeza não ficou na memória. À pergunta se tinha gostado, não houve resposta. Mas a resposta veio bem rápido quando perguntada se queria repetir a experiência: “Não!”

A garotinha sentada com a mãe à nossa frente, de uns sete ou oito anos, logo que a mãe trocou as primeiras palavras com Regina – não me lembro a troco de que, quis saber se onde Regina morava tinha tanta neve assim, que dava pra andar de trenó, os olhos cheios de vontade. A mãe conta que ela mal pode esperar que neve bastante para andar de trenó. Perto da casa dela tem uma pequena descida onde  ela está doida para descer de trenó, nos conta a menininha, cheia de expectativa pela neve.

Ontem amanheceu tudo branco por aqui onde eu moro também. Eu tive de tirar uns 10 cm de neve de sobre o carro antes de sair. O que ainda nem é muito para a primeira “nevada”, mas bem mais do que nevou perto de onde mora a menininha.

Depois de esquentar a prosa com o chocolate, formos procurar uma calça nova para caminhadas longas no frio para a Regina e a procuramos uma nova jaqueta de caminhadas no inverno, que ela também precisa. A calça nós achamos, mas ela não se decidiu por nenhuma das muitas jaquetas de inferno que olhamos. Fomos nos informar e acabei comprando um presente de natal para o Reiner, que tinha começado a procurar na semana anterior. Passamos na Saturno, uma grande loja de eletrodomésticos, produtos fotográficos e de computadores – Regina procura por uma máquina fotográfica ideal para dar de presente para a irmã dela: boa e que caiba no orçamento. Ainda não se decidiu por nenhuma. Sempre acabamos fazendo conjecturas de como é gritante a diferença de atendimento em uma loja que “pode tudo” e de uma loja pequena e especializada. Ontem foi gritante a diferença porque recebemos informações detalhadas e relevantes na loja onde acabei comprando o presente do Reiner, enquanto na outra, é uma tumulto puro. Na semana passada eu tinha procurado e pedido informações sobre este presente na loja “pode tudo” e o rapaz não sabia informar nadinha de nada.

Isto tudo, algumas horas depois de começar a maratona, e eu ainda não tinha tirado nenhuma foto e tem mais, se quiser continue lendo este post enorme

Templo livre

O dia estava lindo. Frio, mas lindo. E eu não tinha compromisso com ninguém. Eu fui de carro até o Breitenstein – a “pedra larga“, que é como se chama a borda de uma montanha aqui perto de casa. Acho que só uns 15 minutos de carro para chegar lá. Estacionei, me armei com minha câmera e o tripé e fui pra pedra. Tirei algumas fotos, claro, mas depois me sentei lá em uma pedra e fiquei apreciando. Apreciando. Apreciando. O tripé largado no lado. A câmera no colo. Estava frio, mas um frio suportável – eu estava bem agasalhada, estava muito agradável. Até meus pés estavam quentes. Eu fiquei tanto tempo lá, quietinha, que quando eu me mexi, um casal me perguntou se eu ainda tinha de esperar muito pelo meu “motivo”. “Eu não espero por nenhum motivo”, expliquei. “Neste momento não tenho nem vontade de fotografar.”

E não tinha mesmo. Impossível capturar aquele momento. Havia muitas pessoas por lá. Elas chegavam sozinhas, aos pares, em grupos. Paravam lá, na beira da pedra e olhavam o vale, as montanhas ao redor, o castelo Teck na montanha da frente. Falavam baixinho. Pareciam até cochichar. Um grupo chegou, parou na borda do penhasco e começou a cantar – o que só intensificou  minha sensação de estar em um templo.

Um templo ao livre. Um templo para a divindade Terra. Um templo para o momento presente. Um templo, para a contemplação. Um templo para o silêncio. Um templo para reverenciar o belo. Um templo para olhar para dentro de si mesmo. Um templo para a alegria. Um templo para um momento perfeito e único.

Eu disse isto para o casal. A mulher do casal comentou: “Nós moramos lá embaixo”, disse apontando o vale. “A gente vem aqui e… está de férias”.

Eles sairam de férias. Eu visitei um templo.

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Até um anjo motorizado apareceu no céu. E esta foi a única foto que fiz depois que falei com o casal. Eu disse: Não dava pra captar em imagens a sensação do momento. Deixo as fotos assim mesmo. Só para registrar.

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