Templo livre

O dia estava lindo. Frio, mas lindo. E eu não tinha compromisso com ninguém. Eu fui de carro até o Breitenstein – a “pedra larga“, que é como se chama a borda de uma montanha aqui perto de casa. Acho que só uns 15 minutos de carro para chegar lá. Estacionei, me armei com minha câmera e o tripé e fui pra pedra. Tirei algumas fotos, claro, mas depois me sentei lá em uma pedra e fiquei apreciando. Apreciando. Apreciando. O tripé largado no lado. A câmera no colo. Estava frio, mas um frio suportável – eu estava bem agasalhada, estava muito agradável. Até meus pés estavam quentes. Eu fiquei tanto tempo lá, quietinha, que quando eu me mexi, um casal me perguntou se eu ainda tinha de esperar muito pelo meu “motivo”. “Eu não espero por nenhum motivo”, expliquei. “Neste momento não tenho nem vontade de fotografar.”

E não tinha mesmo. Impossível capturar aquele momento. Havia muitas pessoas por lá. Elas chegavam sozinhas, aos pares, em grupos. Paravam lá, na beira da pedra e olhavam o vale, as montanhas ao redor, o castelo Teck na montanha da frente. Falavam baixinho. Pareciam até cochichar. Um grupo chegou, parou na borda do penhasco e começou a cantar – o que só intensificou  minha sensação de estar em um templo.

Um templo ao livre. Um templo para a divindade Terra. Um templo para o momento presente. Um templo, para a contemplação. Um templo para o silêncio. Um templo para reverenciar o belo. Um templo para olhar para dentro de si mesmo. Um templo para a alegria. Um templo para um momento perfeito e único.

Eu disse isto para o casal. A mulher do casal comentou: “Nós moramos lá embaixo”, disse apontando o vale. “A gente vem aqui e… está de férias”.

Eles sairam de férias. Eu visitei um templo.

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Até um anjo motorizado apareceu no céu. E esta foi a única foto que fiz depois que falei com o casal. Eu disse: Não dava pra captar em imagens a sensação do momento. Deixo as fotos assim mesmo. Só para registrar.

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Retrato oficial do casal

Ontem tiramos uma foto oficial de nós usando um tripé. Ele detesta ficar olhando para a máquina fotográfica. Mas até ele entende que temos de enviar uma foto atual nossa, junto com a cartinha que escrevemos para a nossas novas afilhadas, do SOS Kinderdorf. Uma delas mora no Brasil e outra na Bolívia. No Brasil a  organização se chama  Aldeias Infantis. Só que não achei lá a modalidade de adoção que nós optamos e que é muito conhecida por aqui. A “adoção de afilhados”.

A idéia é interessante por que as doações mensais que fazemos  está vinculada a uma criança que cresce em uma família adotiva do projeto. Recebemos fotos e  notícias periódicas da criança, acompanhamos o seu desenvolvimento. Podemos enviar e receber cartas diretamente da criança também. A nossa primeira afilhada era uma menina de dois anos, quando a recebemos como afilhada em 2002. Nós fomos padrinhos dela enquanto ela permaneceu no projeto. No começo do ano ela voltou para a mãe/família biólogica e há alguns meses “recebemos” uma nova criança. É também uma menina e mora no Rio Grande do Norte.

Já tínhamos entrado com o pedido para sermos padrinhos de  uma nova criança. Da primeira vez fizemos questão de ter um(a) afilhado(a) no Brasil. Da segunda vez, deixamos a opção do país em aberto. Agora temos duas afilhadas: uma no Brasil e outra na Bolívia.

Aí a foto oficial que elas vão receber de nós. O cachorrinho está na foto por querer. Como o Reiner está indo para o Brasil, ele está levando este cachorrinho para a nossa afilhada de lá.

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Na feira

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A dona desta banca na feira é jovem, bonita e fanática por suas flores/plantas. Uma vez a mãe dela reclamou comigo e com minha amiga Brigitte, que deste jeito ela nunca ia se casar: ela só pensa nas plantas dela, que fica horas, molhando, cuidando.

Mas os arranjos dela são mesmo os mais bonitos da feira – são também os mais caros. E sempre que trocamos um dedo de prosa ela me pergunta quando estou indo para o Brasil. Eu gosto muito de como ela apresenta as plantas dela na feira. Estas rosas só parecem terem sido colocadas displicentemente dentro do balde. Na verdade, as rosas pareciam ainda mais nobres dentro do balde de latão.

Uma rosa e um repolho

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No sábado nós fizemos uma feijoada e convidamos um conhecido do trabalho do Reiner, que ele sempre achou muito simpático, com a mulher dele, para jantar conosco.  Apesar do convite ter sido feito meio em cima da hora, eles aceitaram. Como é muito comum por aqui, eles trouxeram flores. Este buquê: uma rosa e um repolho. Aqui é muito comum buquês de flores que levam frutos e  legumes.  Os buquês ficam sempre bem interessantes.

Caminhada pelo Siebenmühltal

Ontem fomos de novo andar com a turma da Sociedade de caminhadas pés felizes e bolha d’água. Foi uma caminhada curta, de só 12 Km. Até o membro mais novo da sociedade, uma menininha de 1,5 anos, aguentou bem – claro que ela fez a maior parte do percurso nos braços dos pais ou na mochila. Vinte e oito pessoas participaram da caminhada.

O dia estava nublado mas deu pra curtir um pouquinho as cores do outono que já desbotam.